A internet nas eleições 2010
A eleição deste ano no nosso país será a primeira a poder realmente sofrer influência da internet. O que isso significa?
Que as equipes de campanha terão mais um meio de comunicação para vincular propagandas?
Que debates irão ocorrer em uma plataforma muito mais democrática e anárquica, e portanto abrirão espaço para vozes que normalmente não são ouvidas?
Que o debate continuará elitizado já que o acesso à internet é restrito a poucos grupos?
Que os eleitores terão mais proximidade dos candidatos por ter acesso aos seus comentários no twitter?
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Há uma grande expectativa em torno da campanha eleitoral que teve início na semana passada. Será a primeira campanha realmente online do Brasil? Teremos uma espécie de efeito Obama?
Os candidatos já têm suas estruturas de mídias sociais. Não é isso, no entanto, que fez das eleições americanas de 2008 um evento particularmente digital. Não eram apenas os políticos que estavam na internet. Nem eram só eles mais os jornalistas. Era também grande parte da população.
O que havia era uma imensa quantidade de pessoas, anônimos em seus pijamas, escrevendo de casa sobre a campanha. Em blogs, no Twitter, no Facebook. A maioria nem tinha muitos leitores, mas punha a alma no que escrevia.
Isso existe no Brasil. Há gente escrevendo nas mídias sociais sobre suas torcidas. O que praticamente não há é gente informando. Muita torcida, uns argumentos meio repetitivos pró, outros tantos contra, e pouca informação.
Nos EUA havia – como há – grandes blogs políticos. Talking Points Memo, DailyKos, Instapundit, Five Thirty Eight.
São, como é natural da internet, muito diferentes da imprensa tradicional. Seus textos são rápidos e informais. Há opinião e comentário misturados meio displicentemente à notícia. Um põe link para o outro a toda hora. Discutem publicamente. Às vezes são malcriados.
Cumprem, no entanto, um papel fundamental em eleições: informam. É um estilo diferente, não são feitos por jornalistas profissionais, mas esses blogueiros trazem mais do que paixão para a mesa. Pegam o telefone e ligam para quem sabe, fazem perguntas. Metem-se no Google e fazem buscas atrás de buscas. Rastreiam o noticiário que sai apenas na pequena imprensa regional, que muitas vezes passa despercebido pelos grandes jornais e redes de TV.
Isso não existe no Brasil. Há blogs, tais blogs às vezes até fazem a típica mistura de comentário com informação, mas no geral são assinados por jornalistas profissionais.
Ainda falta, aqui no Brasil, esse engajamento da população. Quando ele vier, será muito saudável para a democracia. Afinal, é pela pluralidade de vozes que enriquecemos.
Se não importamos dos Estados Unidos a grande virtude da blogosfera política, importamos seu pior vício: a polarização desenfreada.
Lá, faz sentido. Os partidos Democrata e Republicano têm ideias muito diferentes a respeito do que são os EUA ideal. O belicismo republicano é engajado, o democrata é culpado. Democratas desejam ampliar serviços sociais, republicanos querem distância. Democratas não são conhecidos por cortar impostos e essa é uma típica causa republicana. É a diferença entre Reagan e Clinton, Bush e Obama. Estão, literalmente, em pontos opostos da matriz ideológica. Um é direita, o outro esquerda.
Ainda que, nos EUA, a polarização seja natural, ela não é vista como saudável. Há alguns anos, a CNN exibia um programa chamado Crossfire, em que um engajado comentarista democrata e outro engajado analista republicano recebiam semanalmente um entrevistado. Dava sempre bate-boca até que, um dia, calharam de trazer à mesa o comediante Jon Stewart.
“Vocês fazem mal ao país”, disse Stewart. O comediante não queria discutir política. Queria falar sobre como aqueles dois discutiam política.
Ou seja: ressaltando as diferenças, buscando a ofensa perfeita, ignorando os argumentos adversários, fazendo pouco de quem discorda. Quando discutimos política desse jeito, a qualidade da conversa piora.
As duas principais forças políticas brasileiras não são, entre si, tão diferentes quanto são republicanos e democratas. Ainda assim, quem acompanha a conversa de um e do outro lado na blogosfera brasileira percebe o mesmo padrão: não há conversa ou mesmo debate. Um não ouve o outro. Fingem discutir política quando na verdade fazem algo diferente: campanha.
A campanha está na rede, agora só falta a população.
A polarização artificial inflama ânimos, faz surgir nas caixas de comentários um tipo de calor que cala as vozes mais moderadas. Ela inibe a boa conversa política. Nos EUA é assim há algum tempo. O resultado tem sido que para presidentes de um lado ou do outro é mais difícil governar pois qualquer tipo de acordo com a oposição é praticamente impossível.
Sem acordo entre forças políticas separadas, não há governo ou progresso. O país não melhora. Na internet, esse processo é exacerbado. É fácil criar o hábito de só ler aqueles com quem concordamos. E isso afeta a qualidade da democracia.
Uma nova campanha eleitoral está começando e a rede será uma excepcional fonte de informação. Para receber informação, para oferecer informação. Não custa ter a esperança de que a conversa política na internet brasileira melhorará de qualidade nos próximos meses. (matéria da Democracia Digital Brasil)
“Teremos uma espécie de efeito Obama?”
não, não teremos, pelos seguintes motivos:
1) embora um terço da população tenha acesso a rede, o usuo ainda é inicipiente, ou seja, muito focado em entretenimento e relacionamento.
2) mesmo na campanha de OBAMA, o que fez ele ganhar não foi a WEB, mas o posicionamento de campanha e as ferramentas de massa (televisão).
Gosto muito dos seus argumentos acima. A campanha digital vai ser muito importante nas eleições daqui pra frente, mas não será decisiva. O que será decisivo é a televisão. Acho que a WEB será muito mais importante como resposta em tempo real e o que disso poderá ser levado para televisão vice-versa.
A internet já está fazendo a diferença nas eleições deste ano.
Orkut, facebook, twiiter e outras mídias estão com tudo e atingindo público plugado na web.
Dois focos pelos assessores dos candidatos: um na chamada mídia off e outro com foco na on, atingindo público de 16 a 48 anos, num total de 58% do universo votante da região sudeste.
Ai de quem não souber usar as novas mídias.
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